Divaldo Pereira Franco nasceu em 5 de maio de 1927, em Feira de Santana, Bahia. Tornou-se uma das vozes mais influentes do espiritismo kardecista no Brasil e no mundo, reconhecido por sua atuação como médium, orador e filantropo. Desde a infância relatava vivências mediúnicas — há o famoso relato de que, aos 4 anos, conversou com a avó já desencarnada — e, ainda jovem, assumiu o compromisso de dedicar sua vida à caridade, à educação e à difusão de valores humanistas como amor, paz e responsabilidade social.
Em 1947, mudou-se para Salvador. Ao lado de Nilson de Souza Pereira, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção, que se tornaria a base espiritual e institucional de uma obra social de longa duração. Em 1952, a dupla daria o passo seguinte: a criação da Mansão do Caminho, que marcaria de forma indelével o legado de Divaldo ao integrar evangelho e ação social concreta.
Ao longo de mais de sete décadas de atividade, Divaldo proferiu mais de 20 mil palestras, alcançando plateias em mais de 2.500 cidades de 71 países. Sua fala, firme e afetuosa, orbitava temas como ética, educação dos sentimentos, saúde integral e convivência pacífica. Também se destacou como autor espiritual por meio da psicografia: publicou cerca de 260 obras atribuídas a mais de 200 autores espirituais, com mais de 10 milhões de exemplares vendidos e traduções para 17 idiomas — números que evidenciam a amplitude cultural e geográfica de sua influência.
Reconhecido nacional e internacionalmente, recebeu diversas homenagens acadêmicas e cívicas. Entre elas, títulos de Doutor Honoris Causa em Humanidades (pela Universidade Federal da Bahia e pela Universidade de Montreal, no Canadá) e, em 1997, sua admissão na Ordem do Mérito Militar, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Essas distinções simbolizam o diálogo entre a obra de Divaldo e a esfera pública, reconhecendo nele um agente de transformação social.
Mansão do Caminho: educação, cuidado e inclusão social
Fundada em 1952 por Divaldo Franco e Nilson de Souza Pereira, no bairro de Pau da Lima, em Salvador, a Mansão do Caminho nasceu para acolher, educar e oferecer oportunidade a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade. O projeto cresceu, ao longo das décadas, até tornar-se um complexo educacional e socioassistencial exemplar.
A Mansão do Caminho integra diferentes frentes de atendimento: creche, pré?escola, ensino básico, cursos profissionalizantes, atividades culturais e esportivas, atendimento em saúde e projetos de apoio à família. Sua proposta combina cuidado, formação e cidadania, ajudando a romper ciclos de exclusão por meio da educação integral e do acesso a serviços essenciais. Relatos e matérias jornalísticas destacam que a instituição atende diariamente milhares de pessoas, ampliando horizontes em um território com desafios sociais relevantes. Ao conectar espiritualidade, ética e ação, a Mansão do Caminho se tornou o coração do legado social de Divaldo, e segue operante, mobilizando colaboradores, voluntários e doadores pela continuidade da obra.
Orador, mediunidade e produção literária
A faceta de orador de Divaldo confunde-se com a própria história recente do movimento espírita. Ele percorreu o Brasil e o mundo explicando conceitos de Allan Kardec, refletindo sobre a educação dos sentimentos e propondo uma ética da compaixão prática. No campo literário, sua produção psicográfica é vasta, com estilos e temáticas variadas conforme os autores espirituais a que atribuía as mensagens. Seus livros, publicados por diversas editoras, foram traduzidos para 17 idiomas, alcançando leitores em vários continentes e fomentando debates sobre espiritualidade e responsabilidade social.
Homenagens, despedida e legado
A notícia de seu falecimento, em 13 de maio de 2025, provocou comoção nacional. Autoridades, artistas e lideranças comunitárias prestaram tributos, entre eles a Ministra da Cultura, Margareth Menezes, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e a cantora Ivete Sangalo. O velório ocorreu no ginásio da Mansão do Caminho — uma despedida coerente com a obra que ele ajudou a erigir — e o sepultamento se deu no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador.
O legado de Divaldo permanece vivo em diferentes camadas: nas crianças e famílias atendidas pela Mansão do Caminho; nos leitores que encontraram consolo e orientação em suas obras; nas comunidades que, ao longo de décadas, o acolheram em conferências; e na rede solidária que se formou em torno de sua militância pela educação, pela dignidade e pela paz. Sua trajetória inspira gestores sociais, educadores e lideranças religiosas a desenharem respostas concretas para problemas concretos — sem perder de vista a dimensão espiritual do ser humano.
